A pulseira de cobre: uma tradição secular
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Resumo
- Os arqueólogos encontraram uma joia de cobre com cerca de 8700 anos antes de Cristo, no norte do Iraque.
- A pulseira de cobre surge de forma independente em tradições por todo o mundo: entre os antigos egípcios, entre povos indígenas junto aos Grandes Lagos e entre os celtas.
- A partir do século XIX, surgiu na Europa a metaloterapia, sendo a pulseira de cobre o exemplo mais conhecido.
- Dentro do sistema de chakras, o cobre é associado ao chakra do Coração e ao "enraizamento" da aura.
- O péptido de cobre GHK-Cu foi estudado cientificamente e, quando aplicado topicamente na pele, revela-se capaz de estimular a produção de colagénio e elastina.
- O cobre é um material vivo. Cada pulseira desenvolve, com o tempo, a sua própria pátina única.
Uma das joias mais antigas alguma vez usadas pelo ser humano
Ainda antes de existir linguagem escrita, o ser humano já usava cobre no pulso. Os arqueólogos encontraram, no norte do Iraque, uma joia de cobre com cerca de 8700 anos antes de Cristo. O que começou como um metal prático e maleável tornou-se em algo que pessoas em todo o mundo usam há milhares de anos no pulso, como joia, como símbolo de estatuto e, para muitas pessoas, também como algo que lhes dá uma sensação de bem-estar.
Uma tradição que surge por todo o lado
O que chama a atenção na história da pulseira de cobre é que não vem de uma única cultura. Em locais separados por milhares de quilómetros, sem qualquer contacto entre esses povos, o cobre foi ganhando repetidamente um significado semelhante e especial.
No Antigo Egito, o cobre estava associado à deusa Hathor, deusa do amor e da fertilidade, cujos santuários se situavam, entre outros locais, junto ao Sinai, onde os egípcios extraíam cobre. Diz-se que as sacerdotisas usavam cobre durante cerimónias dedicadas a Hathor, e amuletos de cobre eram colocados nos túmulos na crença de que protegiam a alma na sua viagem pelo além. Trata-se de uma tradição religiosa do Antigo Egito que continua a ser transmitida até hoje.
Junto aos Grandes Lagos, na América do Norte, comunidades indígenas já extraíam cobre puro diretamente do solo há milhares de anos. Na tradição de vários povos nativos americanos, o cobre era visto como uma dádiva sagrada da terra, transformado em talismãs e transmitido com cuidado. Também esta é uma tradição cultural, sustentada por histórias transmitidas de geração em geração.
Entre os celtas na Europa, o cobre estava longe de ser uma escolha de joia ao acaso. Os torques de cobre e bronze, anéis robustos e abertos usados ao pescoço ou no pulso, eram símbolo de estatuto e usados por líderes e guerreiros. Na tradição celta, usar este tipo de joias representava também força espiritual.
De laboratórios franceses à rua de hoje
Por volta de 1830, os cientistas descobriram cobre no sangue humano, e essa descoberta deu início a um movimento hoje conhecido como metaloterapia: o uso de objetos metálicos sobre o corpo. O médico francês Victor Burq foi um dos primeiros a estudar e descrever este fenómeno de forma séria, e a partir de meados do século XIX a pulseira de cobre iniciou uma ascensão que continua até hoje. Nos anos setenta do século passado, a pulseira conheceu uma nova onda de popularidade, sobretudo no Reino Unido e nos Estados Unidos.
Chakras, aura e energia vital
Dentro das tradições energéticas e espirituais, o cobre continua a ser discutido na linguagem da energia. Dentro do sistema de chakras, que tem as suas raízes nas tradições indianas, o cobre é frequentemente associado ao chakra do Coração (Anahata), o centro energético que, nessa tradição, está ligado à conexão e ao equilíbrio. Praticantes de disciplinas energéticas descrevem o cobre como condutor daquilo a que chamam energia vital, e usam-no para ajudar a enraizar a aura.
Vénus no teu pulso
Dentro da tradição esotérica ocidental, o cobre é o metal de Vénus. Essa ligação passa por Chipre, a ilha do cobre onde Afrodite ocupava um lugar central. Representava o amor, a beleza, a atração e a fertilidade, e era também associada, dentro da tradição cipriota, à extração de cobre. Séculos mais tarde, Agrippa voltou a associar explicitamente o cobre a Vénus.
Isso confere à pulseira de cobre ainda outro significado: não apenas enraizamento e condução, mas também ligação, recetividade e autoestima. Alguns utilizadores escolhem conscientemente o pulso esquerdo como lado recetor e o pulso direito como lado dador ou de ação. Não existe uma regra universal; o valor está precisamente na intenção que tu dás ao uso.
A ponte para a pele: o que a ciência mostra
Independentemente destas tradições culturais e espirituais, existe também uma linha de investigação científica concreta, ainda que se trate de um tipo de contacto com o cobre diferente do uso de uma pulseira. No início dos anos setenta, o bioquímico americano Loren Pickart descobriu um péptido de cobre naturalmente presente no corpo: o GHK-Cu. Um estudo de 2018, publicado na revista Molecules da editora MDPI, mostra que o GHK-Cu, quando aplicado topicamente na pele em contexto cosmético, consegue estimular de forma comprovada a produção de colagénio e elastina.
Essa investigação incide sobre cremes e outros produtos em que o péptido de cobre é aplicado diretamente na pele, não sobre o uso de uma joia de cobre. Não constitui, portanto, uma prova direta do efeito de uma pulseira. Mostra, contudo, que o cobre e a pele, até ao nível celular, parecem estar relacionados há mais tempo do que se poderia pensar.
O que as pessoas contam sobre isso
Quem observa as redes sociais vê essa tradição bem viva ainda hoje. Por baixo de vídeos sobre pulseiras de cobre encontram-se, com surpreendente frequência, o mesmo tipo de comentários: pessoas que contam que usam a pulseira contra articulações rígidas, um pulso incómodo ou o tipo de desconforto formigante associado ao túnel cárpico. Uns falam de alívio numa antiga lesão no tornozelo, outros dizem já a usar diariamente e sentirem-se melhor com ela.
É também por isso que uma pulseira de cobre parece tão diferente de uma joia qualquer. Estás a juntar-te a um hábito transmitido na Europa desde o século XIX, e que antes disso já existia, noutras formas, há séculos em vários continentes.
Um ritual simples de uso
Antes de a colocares, segura a pulseira um momento entre as duas mãos. Escolhe uma qualidade que queiras levar contigo nesse dia, por exemplo calma, abertura, criatividade ou coragem, e associa-a ao cobre numa frase curta. Usa-a depois sem estares constantemente a pensar nisso. No final do dia, ao tirá-la, podes fazer um breve balanço: onde é que sentiste essa qualidade?
Assim, a pulseira torna-se mais do que um objeto no pulso. O brilho e a pátina, ao mudarem, passam a fazer parte de um ritual pessoal que não é imposto de fora, mas que se torna teu através da repetição.
Uma joia que cresce contigo
Há ainda um pormenor bonito em usar cobre: nenhumas duas pulseiras envelhecem da mesma forma. O cobre reage à tua própria pele, ao teu calor e suor, e ganha assim, com o tempo, um brilho ou uma pátina únicos e pessoais.
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